Projetos

Pesquisas em andamento:

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RELAÇÕES ENTRE ENVOLVIMENTO E PRÁTICAS PARENTAIS, FUNCIONAMENTO FAMILIAR, COPARENTALIDADE E COMPORTAMENTO DA CRIANÇA PRÉ-ESCOLAR

 

A família é um dos principais contextos de desenvolvimento da criança. Pesquisas apontam fatores determinantes para um maior ou menor envolvimento dos pais com os filhos, dentre eles o funcionamento familiar e a coparentalidade. Esse estudo se interessa por essas relações e pretende responder como o funcionamento familiar e a coparentalidade interferem no envolvimento e na interação dos pais com os filhos. O objetivo geral é investigar o comportamento da criança com desenvolvimento típico e atípico e sua relação com o envolvimento e práticas parentais, funcionamento familiar e coparentalidade. Os objetivos específicos são: relacionar a coparentalidade e o comportamento da criança; relacionar o “maternal gatekeeping” e o comportamento da criança; investigar a coparentalidade em famílias divorciadas; investigar as práticas parentais e suas relações com o comportamento prossocial de crianças; relacionar a coparentalidade com a prossociabilidade infantil; comparar o envolvimento parental de pais e mães; investigar as repercussões da coparentalidade, envolvimento parental e comportamento da criança; analisar as repercussões do funcionamento familiar e do envolvimento parental no comportamento da criança; comparar as características comportamentais de crianças pré-escolares com autismo e síndrome de Down e sua relação com a coparentalidade e práticas parentais; caracterizar o comportamento de crianças pré-escolares com autismo e sua relação com o funcionamento familiar; analisar as relações entre temperamento da criança, personalidade do pai e envolvimento parental; relacionar o estilo de apego adulto do pai, o envolvimento parental e o comportamento da criança. Trata-se de uma pesquisa quantitativa e qualitativa, do tipo transversal, e quanto aos objetivos é do tipo descritiva, exploratória e explicativa. O projeto investigará os fenômenos através de diferentes instrumentos e diferentes participantes. Participarão 150 famílias com crianças com quatro e cinco anos com desenvolvimento típico, 50 famílias de pais divorciados/recasados, mas que não coabitam com a criança e 60 famílias com crianças com desenvolvimento atípico (30 com Síndrome de Down e 30 com Transtorno Invasivo do Desenvolvimento do tipo Autista). Os instrumentos a serem aplicados são: Questionário Sociodemográfico; Questionário sobre Abertura ao Mundo; Questionário de Engajamento Paterno; Escala de Avaliação da Coesão e Adaptabilidade Familiar; Questionário de Capacidades e Dificuldades da Criança; Escala de Apego Adulto; Inventário dos Cinco Grandes Fatores de Personalidade; Perfil Sócio-Afetivo da Criança; Questionário de Mediação Materna do Envolvimento Paterno nas Atividades Domésticas; Questionário de Comportamento das Crianças; Escala da Relação Coparental; Inventário de Práticas Parentais; Roteiro de Entrevista Semiestruturado de Genograma; Observação da Situação de Risco, Observação de Coparentalidade e Dilemas de Prossociabilidade. Esses participantes serão convidados por meio de instituições, escolhidas por acessibilidade. No que se refere à análise de dados, os dados dos questionários serão tabulados e submetidos ao pacote estatístico SPSS para realizar estatística descritiva e inferencial; os dados obtidos através das entrevistas serão analisados conforme seu conteúdo, utilizando-se o software Atlas-ti; e os dados obtidos na observação serão classificados em categorias pré-definidas. As categorias das entrevistas e da observação serão submetidas à concordância entre juízes.

Palavras-chave: envolvimento parental, práticas parentais, funcionamento familiar, coparentalidade,  comportamento da criança pré-escolar, prossociabilidade, desenvolvimento atípico, autismo, síndrome de down, divórcio.

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A transmissão intergeracional da violência: a relação do conflito conjugal e parental com a agressividade entre pares de crianças de quatro a seis anos de idade

Essa pesquisa tem por objetivo estabelecer um elo entre três formas de violência familiar, quais sejam, a violência conjugal, a violência parental (pais em relação às crianças) e a agressão das crianças entre si (irmãos), propondo um modelo de transmissão intergeracional das estratégias de gestão de conflitos. Trata-se de um estudo desenvolvido através de uma parceria entre Instituições de Ensino Superior no Brasil e no Canadá. Estão envolvidos, nacionalmente, o Laboratório de Pesquisa em Saúde, Família e Comunidade (LABSFAC) e o Núcleo de Estudo e Pesquisa em Desenvolvimento Infantil (NEPeDI), ambos vinculados à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e representados, respectivamente, pela Prof.ª Dr.ª Maria Aparecida Crepaldi e pelo Prof.º Dr.º Mauro Luis Vieira. A parceria com o Canadá foi realizada através da Universidade do Québec em Montreal (UQÀM) e da Universidade de Montreal (UM), junto aos pesquisadores Marc Bigras e Daniel Paquette. No Brasil, o projeto integra um conjunto de pesquisas que está sendo desenvolvido com a colaboração de professores, pesquisadores e estudantes dos cursos de graduação e pós-graduação em Psicologia da UFSC, enquanto no Canadá participam pesquisadores e alunos de pós-graduação vinculados à UQÀM e à UM. A amostra brasileira será composta por 150 famílias residentes nas regiões da Grande Florianópolis e do Vale do Itajaí, ambas localizadas no estado de Santa Catarina. Os pais, biológicos ou não, deverão estar vivendo juntos por seis meses quando da coleta de dados. Serão incluídos na amostra apenas os pais que, quando do nascimento da criança focal, já haviam completado 18 anos. A criança focal deverá ter idade entre quatro a seis anos e frequentar Instituição de Educação Infantil pública ou privada nos municípios que compõem as regiões supracitadas no momento da coleta de dados. Trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa, cujos dados serão coletados através de um conjunto de instrumentos que serão respondidos por pais e mãe.

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Relações de Amizade na Infância e Transição Ecológica na Região Sul do Brasil.

Há relativamente poucos estudos nos quais o relacionamento pais-criança e a qualidade do comportamento parental têm sido relacionados às amizades dos filhos. Deste modo, neste estudo, propõe-se investigar as associações entre a qualidade dos relacionamentos pais-criança, dimensões comportamentos parentais e infantis e a extensão e qualidade das amizades da criança da meia infância até o início da adolescência. Para tal 450 crianças, meninos e meninas, de escolas públicas de Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre (150 crianças em cada local) responderão questionários e escalas em dois tempos: quando estiverem na quarta e quinta série, respectivamente. Os pais e professores também responderão a escalas psicológicas. Trata-se de um estudo quantitativo e longitudinal que pretende, focalizando no processo das mudanças que ocorrem nesta transição (da 4ª para 5ª série), obter subsídios para uma compreensão mais profunda das associações entre a qualidade dos relacionamentos pais-crianças, as dimensões das praticas parentais e das extra-familiares ex. com os pares e os amigos. Espera-se que : a) Crianças que vivenciam relacionamentos criança-pais positivos / com segurança e estilos parentais positivos (em termos de afeto, disciplina, solução de problemas e comunicação) terão amizades de maior qualidade e redes de amizade mais amplas do que crianças que vivenciam relacionamentos pais-filhos e interações parentais inseguras e negativas; b) Crianças que vivenciam relacionamentos pais-criança autoritários, com apego inseguro e estilos parentais negativos terão escores mais baixos nas medidas de adaptação sócio-emocional. Ou seja, se a qualidade percebida de suas amizades for alta, um efeito protetivo ocorrerá e se a qualidade de suas amizades for baixa, conseqüências negativas serão exacerbadas. Serão examinadas a)as relações entre características individuais da criança como sexo e perfil psicológico/comportamental.

 

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Valores, crenças e práticas parentais em diferentes contextos: integração entre fatores bio-psicológicos e culturais.

O investimento e cuidados parentais podem ser caracterizados por valores, crenças e práticas de criação de filhos que são, por um lado, compartilhados, e por outro, que distinguem diferentes ambientes culturais, analisados à luz do contexto sócio-ambiental e da história da família. A resposta à aparente contradição entre universalidade e diversidade humanas surge com modelos que integram diversos níveis de explicação, e consideram a complexidade cultural como um reflexo da complexidade biológica e psicológica. Para atingir esse fim, utilizar-se do referencial da Psicologia Evolucionista (que inclui autores como Tobby e Cosmides, Bjorklund e Pellegrini, Geary e Flinn) e de Etnoteorias (modelos teóricos preconizados por Sarah Harkeness e Charles Super).O presente projeto tem como objetivo geral identificar as principais práticas e expectativas das mães com relação aos filhos em diferentes contextos sócio-culturais e econômicos, tendo como base um modelo teórico que integre fatores biológicos, psicológicos e culturais. Participarão deste estudo 150 mães com idade superior a 16 anos e com pelo menos um filho na faixa etária de 0 à 3 anos, provenientes de diferentes contextos sócio-culturais e econômicos, incluindo a capital de Santa Catarina (Florianópolis), uma cidade do extremo oeste catarinense (Guaraciaba) e outras duas no vale do Itajaí (Corupá e Schroeder). Serão utilizados os seguintes instrumentos para a coleta dos dados: 1) Escala de Avaliação de Status Socioeconômico de Hollingshead; 2) Escalas sobre estilos materno e paterno; 3) Escala para avaliação de práticas parentais; e4) Questionário sobre metas de socialização. Os dados serão analisados qualitativa e quantitativamente, visando caracterizar os diferentes grupos, buscando-se identificar relações entre dados sócio-demográficos e padrões culturais diferentes com práticas parentais e estratégias e metas de socialização, através de um modelo que integre aspectos bio-psicológicos, ecológicos e culturais. Nesse sentido, estudos interculturais podem trazer informações relevantes para se compreender de modo holístico a relação entre cuidados parentais e desenvolvimento infantil. Esse conhecimento, além da repercussão teórica, também pode fornecer subsídios para a implementação de programas de saúde pública para mães, pais e crianças, levando-se em conta a ampla diversidade sócio-econômica e cultural dessa população.